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As válvulas para polpas minerais operam em condições que podem acelerar o desgaste, comprometer a vedação e dificultar o acionamento dos equipamentos. Diferentemente de linhas de água limpa, os sistemas de transporte de polpa movimentam líquidos com partículas sólidas em suspensão, que podem apresentar elevada densidade, diferentes granulometrias e forte potencial abrasivo.
Na mineração e no processamento mineral, essas condições estão presentes em circuitos de moagem, classificação, concentração, espessamento, transporte de rejeitos e alimentação de diferentes equipamentos. Além disso, algumas etapas podem envolver reagentes químicos, alterações de pH e temperaturas que aumentam ainda mais a complexidade da aplicação.
Por isso, escolher uma válvula apenas com base no diâmetro da tubulação, na classe de pressão ou no menor preço representa um risco. O equipamento precisa ser compatível com as características da polpa, com a função que exercerá no processo e com as condições reais de operação.
Uma especificação correta pode aumentar a vida útil da válvula, reduzir intervenções de manutenção e diminuir o risco de paradas inesperadas.
A polpa mineral, também chamada de slurry, é uma mistura formada por uma fase líquida e partículas sólidas.
A fase líquida geralmente é composta por água, mas também pode conter reagentes, aditivos e outras substâncias utilizadas no processamento mineral. Já a fase sólida pode incluir minério, concentrado, finos, rejeitos e partículas de diferentes tamanhos e formatos.
A concentração de sólidos varia de acordo com a etapa do processo. Algumas linhas transportam polpas relativamente diluídas. Outras movimentam misturas densas, viscosas e com tendência à sedimentação.
Esse comportamento influencia diretamente o funcionamento das válvulas.
Quando o fluido reduz sua velocidade ou permanece parado, as partículas podem se depositar em cavidades, sedes e regiões internas do equipamento. Além disso, durante o escoamento, os sólidos atingem superfícies metálicas e elastoméricas, causando desgaste progressivo.
Portanto, não basta informar que a válvula será utilizada em uma mineradora. É necessário compreender exatamente qual polpa passará por ela.

A agressividade de uma polpa não depende de um único fator. Normalmente, ela é resultado da combinação entre as características das partículas, a concentração de sólidos e as condições hidráulicas da linha.
Partículas minerais podem entrar em contato continuamente com o corpo, a sede, o disco, a lâmina, o mangote e outros componentes da válvula.
Quanto mais duras, angulares e concentradas forem essas partículas, maior poderá ser o desgaste.
A abrasão tende a ser mais intensa em regiões onde o fluido muda de direção ou aumenta de velocidade. Por isso, determinadas áreas internas podem se desgastar muito antes do restante da válvula.
Quando a velocidade da polpa diminui, partículas mais pesadas podem se depositar.
Esse material pode se acumular em cavidades e folgas, dificultando o fechamento da válvula. Em situações mais severas, a sedimentação pode travar o equipamento ou impedir que a sede seja corretamente comprimida.
O problema também pode ocorrer durante paradas prolongadas da planta. Quando o sistema retorna à operação, a válvula pode encontrar uma massa de sólidos compactados em sua região interna.
Aumentar a velocidade da polpa ajuda a manter os sólidos em suspensão. Entretanto, velocidades excessivas intensificam a erosão das tubulações e válvulas.
Existe, portanto, um equilíbrio operacional.
A velocidade precisa ser suficiente para reduzir a sedimentação, mas não tão elevada a ponto de provocar desgaste prematuro. Esse critério deve ser analisado no projeto da linha como um todo.
Algumas polpas também apresentam características químicas agressivas.
Reagentes, alterações de pH, sais e outros componentes podem atacar os materiais da válvula. Quando corrosão e abrasão acontecem simultaneamente, o desgaste pode avançar com maior rapidez.
A abrasão remove camadas superficiais e expõe novamente o material. Em seguida, o meio corrosivo ataca essa nova superfície.
Por isso, uma válvula para polpa mineral deve ser selecionada considerando tanto a resistência mecânica quanto a compatibilidade química.
Uma boa especificação começa pela coleta de dados técnicos. Quanto mais completas forem as informações, maior será a possibilidade de selecionar uma solução adequada.
A porcentagem de sólidos indica quanto material particulado existe na mistura.
Uma polpa diluída pode apresentar comportamento relativamente próximo ao de um líquido convencional. Por outro lado, uma polpa concentrada pode ser mais viscosa, pesada e difícil de movimentar.
A concentração interfere no torque necessário, na possibilidade de sedimentação e no desgaste interno da válvula.
Também é importante informar se a concentração permanece estável ou varia durante a operação.
O tamanho das partículas influencia sua capacidade de entrar em folgas, alojar-se em sedes e provocar danos durante o fechamento.
Partículas muito finas podem penetrar em pequenas regiões do equipamento. Já partículas maiores podem impedir a movimentação completa da lâmina, do disco ou da esfera.
Além do tamanho médio, é importante conhecer a granulometria máxima esperada.
Partículas arredondadas podem apresentar um comportamento diferente de partículas angulares e cortantes.
Da mesma forma, materiais mais duros tendem a provocar maior desgaste em superfícies metálicas e elastoméricas.
Esses dados ajudam a selecionar materiais, revestimentos e geometrias internas mais adequadas.
Uma polpa com elevada densidade exige maiores esforços para ser movimentada e controlada.
A viscosidade, por sua vez, influencia a perda de carga e o comportamento do escoamento. Fluidos mais viscosos podem demandar válvulas com passagens internas menos restritivas.
Essas propriedades também devem ser consideradas no dimensionamento de bombas, tubulações e demais componentes do sistema.
A pressão normal, a pressão máxima e o diferencial de pressão sobre a válvula influenciam a seleção do corpo, das sedes e do atuador.
A temperatura também pode limitar o uso de determinados elastômeros e revestimentos.
Por isso, não basta informar apenas a classe nominal da tubulação. É necessário avaliar as condições efetivas às quais a válvula será submetida.

A válvula será utilizada somente para bloqueio? Permanecerá aberta durante longos períodos? Precisará realizar manobras frequentes? Será usada para controlar vazão? Essas respostas mudam a seleção.
Uma válvula adequada para isolamento pode não oferecer o mesmo desempenho quando utilizada para estrangulamento contínuo. Da mesma forma, uma solução indicada para controle pode exigir materiais especiais para resistir ao desgaste provocado pela polpa.
Diferentes tipos de válvulas podem ser utilizados em sistemas de mineração. A escolha depende das características do fluido e da função do equipamento.
A válvula mangote, também conhecida como pinch valve, possui um elemento elastomérico flexível que é comprimido para reduzir ou interromper o fluxo.
Sua construção pode apresentar vantagens importantes em aplicações com polpas, lamas e sólidos em suspensão.
Em modelos de passagem plena, o fluido encontra um caminho interno sem obstáculos metálicos relevantes. Isso ajuda a reduzir áreas de acúmulo e pontos nos quais partículas poderiam ficar retidas.
Entre as características que podem favorecer seu uso estão:
A seleção do material do mangote é decisiva. O elastômero precisa ser compatível com a composição química, a temperatura, a abrasividade e a pressão do processo.
Um mangote escolhido apenas pela resistência à abrasão pode não suportar determinados reagentes. Por outro lado, um material quimicamente resistente pode não apresentar o melhor desempenho diante do desgaste mecânico.
Quando considerar a válvula mangote?
Ela pode ser considerada em aplicações como:
Entretanto, a pressão, a frequência de acionamento e a necessidade de controle precisam ser avaliadas para selecionar o modelo correto.
A válvula guilhotina utiliza uma lâmina que se movimenta transversalmente ao fluxo. Na mineração, existem modelos desenvolvidos especificamente para polpas abrasivas. Essas construções podem utilizar sedes ou mangas elastoméricas e geometrias projetadas para permitir a passagem de sólidos.
A válvula guilhotina para slurry pode ser aplicada em:
Sua lâmina precisa atravessar o meio e atingir a posição de fechamento. Por isso, a concentração de sólidos e a possibilidade de compactação na região da sede são fatores importantes.

Nem toda válvula guilhotina é igual
A expressão “válvula guilhotina” abrange modelos com construções bastante diferentes. Uma válvula convencional para fluidos com baixa concentração de sólidos não deve ser automaticamente considerada equivalente a uma válvula projetada para slurry.
É necessário verificar:
A comparação comercial deve ocorrer somente depois da equalização técnica.
A válvula borboleta possui um disco que gira no interior da tubulação. Sua construção compacta e o acionamento de um quarto de volta facilitam a instalação e a automação.
Ela pode ser utilizada em diferentes sistemas de uma planta mineral, especialmente em linhas de água, utilidades e fluidos de processo menos severos.
Em algumas aplicações com polpas, modelos adequadamente selecionados também podem ser utilizados. Entretanto, o disco permanece no caminho do fluido mesmo quando a válvula está aberta. Isso significa que partículas abrasivas podem atingir continuamente o disco e a sede.
Antes de selecionar uma válvula borboleta para polpa mineral, é importante analisar:
Em serviços muito abrasivos, outro tipo de válvula pode apresentar melhor desempenho. Porém, em polpas menos concentradas ou linhas auxiliares, a válvula borboleta pode oferecer uma solução compacta e competitiva.
A válvula esfera proporciona bloqueio rápido por meio de um movimento de um quarto de volta. Modelos de passagem plena também podem apresentar baixa restrição quando totalmente abertos.
Na mineração, ela é frequentemente utilizada em:
Sua aplicação direta em polpas abrasivas exige cuidado. Partículas podem se alojar entre a esfera e a sede, provocando riscos, deformação e perda de estanqueidade. Além disso, algumas construções possuem cavidades internas nas quais o material pode se acumular.
Em condições específicas, podem ser necessários modelos com:
Portanto, a válvula esfera não deve ser descartada, mas também não deve ser utilizada automaticamente em qualquer linha de slurry.
A válvula de diafragma utiliza um elemento flexível para isolar o mecanismo de acionamento do fluido.
Em determinadas aplicações com produtos químicos, partículas finas e fluidos corrosivos, essa construção pode oferecer vantagens.
Entretanto, o diafragma possui limitações de pressão, temperatura e resistência mecânica. A presença de partículas grandes ou muito abrasivas pode reduzir sua vida útil.
Sua utilização deve ser avaliada conforme as características específicas da linha.
Uma das decisões mais importantes é definir se a válvula realizará bloqueio ou controle.
Uma válvula de bloqueio normalmente opera totalmente aberta ou totalmente fechada. Nesse caso, os principais requisitos são:
Válvulas mangote e guilhotina para slurry são frequentemente consideradas para essa função, dependendo da aplicação.
Controlar uma polpa mineral é mais complexo. Quando a válvula trabalha parcialmente aberta, ocorre aumento de velocidade em regiões específicas. As partículas passam por uma área reduzida e podem provocar erosão acelerada.
Além disso, a posição intermediária pode criar turbulência, vibração e desgaste irregular. Por isso, válvulas utilizadas para controle precisam ser dimensionadas e selecionadas especificamente para essa finalidade.
É necessário avaliar:
Utilizar uma válvula de bloqueio como elemento de controle contínuo pode reduzir significativamente sua vida útil.

A válvula não deve ser analisada separadamente do atuador. Polpas densas, sedimentação e altos diferenciais de pressão podem aumentar o torque ou o empuxo necessário para movimentar o equipamento.
O atuador precisa ser capaz de:
Dependendo da aplicação, podem ser utilizados atuadores pneumáticos, elétricos, hidráulicos ou acionamentos manuais.
Também é necessário definir o comportamento em caso de falha de energia ou perda de ar. A válvula deverá permanecer na posição, abrir ou fechar? Essa decisão deve estar relacionada à segurança do processo.
Não existe um único material ideal para todas as polpas minerais. A seleção pode envolver aço carbono, aço inoxidável, ligas especiais, elastômeros, materiais endurecidos e diferentes revestimentos.
O corpo da válvula é apenas uma parte da análise. Também devem ser avaliados:
Em alguns casos, o fluido pode não entrar em contato direto com o corpo metálico, mas atuar principalmente sobre um mangote ou revestimento. Em outros, disco, lâmina e sede ficam continuamente expostos ao desgaste.
O material correto depende da combinação entre abrasão, corrosão, pressão, temperatura e frequência de operação.
O processamento mineral de terras raras também pode envolver linhas de polpa, água, reagentes e fluidos com sólidos em suspensão.
As condições variam conforme o tipo de minério, a composição mineralógica e a rota de beneficiamento adotada. Portanto, “terras raras” não representa uma especificação única de válvula.
Nas etapas físicas do processamento, podem existir aplicações relacionadas a:
Já em etapas químicas, podem surgir fluidos com diferentes níveis de corrosividade, o que exige uma análise específica de materiais e vedações.
Assim, uma válvula instalada em uma linha de polpa abrasiva pode precisar de uma construção diferente daquela aplicada em uma solução química do mesmo processo. A seleção deve sempre considerar o fluido real presente em cada ponto da planta.
Alguns erros podem reduzir a vida útil do equipamento e aumentar o custo de manutenção.
Informar apenas o diâmetro e a pressão: Esses dados são importantes, mas não descrevem o comportamento da polpa.
Não informar a concentração de sólidos: Uma linha com 5% de sólidos apresenta condições diferentes de outra com uma concentração muito mais elevada.
Ignorar a granulometria máxima: Partículas maiores podem impedir o fechamento ou danificar sedes e componentes.
Escolher a válvula sem analisar a velocidade: Velocidades elevadas podem acelerar a erosão mesmo quando os materiais parecem adequados.
Utilizar válvula de bloqueio para controle contínuo: A operação parcialmente aberta pode concentrar o desgaste e causar falhas precoces.
Comparar modelos diferentes apenas pelo preço: Duas válvulas com o mesmo diâmetro podem possuir geometrias, sedes, materiais e capacidades muito diferentes.
Desconsiderar a manutenção: A vida útil de mangotes, sedes e revestimentos deve ser avaliada junto com a facilidade de substituição e a disponibilidade de peças.
A válvula de menor preço nem sempre representa a menor despesa para a operação.
O custo total inclui:
Uma válvula tecnicamente adequada pode apresentar preço inicial maior, mas permanecer mais tempo em operação e exigir menos intervenções.
Por outro lado, especificar um equipamento excessivamente sofisticado para uma aplicação simples também aumenta o custo sem necessidade.
O objetivo deve ser encontrar a solução compatível com o processo pelo menor custo total possível.
A escolha de válvulas para polpas minerais exige uma análise mais profunda do que a comparação entre diâmetro, classe de pressão e preço.
Concentração de sólidos, granulometria, densidade, abrasividade, velocidade, pressão, temperatura e composição química influenciam diretamente o desempenho do equipamento.
Válvulas mangote, guilhotina, borboleta, esfera e outros modelos podem ser utilizados na mineração. Entretanto, cada solução possui características, vantagens e limitações próprias.
A válvula mangote pode favorecer a passagem de polpas abrasivas e reduzir áreas de acúmulo. A guilhotina para slurry pode oferecer uma solução eficiente para isolamento. Já válvulas borboleta e esfera podem atender linhas auxiliares e aplicações compatíveis com seus materiais e sua construção.
Não existe uma válvula universal para toda polpa mineral. A melhor escolha é aquela baseada nas condições reais da linha, na função do equipamento e na estratégia de manutenção da planta.
A Casa das Válvulas oferece suporte técnico e engenharia de aplicação para auxiliar na seleção de válvulas para polpas, lamas, sólidos em suspensão e fluidos abrasivos.
A empresa conta com um portfólio de mais de 7 mil itens e aproximadamente 400 mil válvulas e conexões à pronta entrega, além de processos de inspeção, rastreabilidade e controle de qualidade.
Entre em contato com a equipe técnica da Casa das Válvulas, apresente os dados da sua aplicação e solicite uma especificação e um orçamento para sua operação mineral.
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