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A manutenção de tubulações na mineração tem impacto direto na disponibilidade da planta. Em sistemas que transportam água, polpas minerais, rejeitos, ar comprimido e outros fluidos de processo, uma falha aparentemente localizada pode exigir isolamento da linha, mobilização de equipes, substituição de componentes e horas de interrupção operacional.
Em aplicações com slurry, o desafio é ainda maior. Partículas abrasivas, variações na concentração de sólidos, corrosão e velocidades elevadas podem desgastar tubos, curvas, conexões e válvulas de maneira desigual. Como resultado, esperar o aparecimento de um vazamento para decidir quando realizar a manutenção costuma ser uma estratégia cara.
Reduzir paradas exige combinar três frentes: um sistema tubular bem projetado, monitoramento dos pontos de desgaste e uma estratégia de manutenção que permita substituir componentes rapidamente.
O objetivo não é eliminar completamente a manutenção. Em instalações severas, determinados componentes são naturalmente consumidos ao longo do tempo. O ponto é tornar esse desgaste previsível e diminuir o tempo necessário para intervir quando a substituição for necessária.
Tubulações na mineração conectam diferentes etapas de uma operação mineral. Dependendo da planta, elas podem transportar:
Quando uma linha crítica deixa de operar, equipamentos instalados antes ou depois dela também podem ser afetados. Uma bomba pode continuar disponível, por exemplo, mas não consegue enviar polpa para a etapa seguinte porque um trecho da tubulação precisa ser substituído.
Por isso, a disponibilidade de uma planta não depende somente dos equipamentos rotativos ou das máquinas de processo. O sistema tubular também faz parte da confiabilidade da operação.
Em aplicações com slurry, fabricantes especializados chamam atenção justamente para a importância da configuração das tubulações na mineração e do monitoramento do desgaste. A Metso destaca que diâmetro interno, configuração da linha e materiais de revestimento interferem tanto na resistência ao desgaste quanto na estabilidade do processo e no consumo de energia.

Um dos principais erros em planos de manutenção é tratar todos os metros de uma linha como se estivessem submetidos às mesmas condições. Na prática, determinados pontos podem sofrer desgaste muito mais rápido.
Entre eles estão:
Isso acontece porque partículas carregadas pelo fluido não se movimentam de maneira uniforme em todas as regiões. Quando o escoamento muda de direção, por exemplo, existe maior tendência de impacto em determinadas áreas da conexão.
Por isso, uma curva pode precisar ser substituída enquanto longos trechos retos da mesma linha ainda apresentam boas condições.
A velocidade da polpa merece atenção especial. Segundo documentação técnica da Metso sobre sistemas de tubulação e mangotes para slurry, ensaios práticos indicam que o desgaste pode aumentar fortemente à medida que cresce a velocidade do escoamento. A fabricante também destaca que slurries minerais frequentemente são mantidos em regime turbulento justamente para reduzir sedimentação e formação de leitos de sólidos.
Isso cria um equilíbrio importante. Velocidades excessivamente baixas podem favorecer a deposição de partículas. Velocidades muito altas, por outro lado, tendem a aumentar a erosão.
Portanto, quando uma tubulação apresenta vida útil muito abaixo do esperado, simplesmente aumentar a espessura do tubo pode não eliminar a causa do problema. A engenharia também deve verificar vazão, diâmetro interno, concentração de sólidos, granulometria e geometria da instalação.
Uma tubulação que foi projetada pensando apenas na operação pode se transformar em um problema quando chega o momento da manutenção. Imagine uma válvula ou uma curva instalada em uma região onde não existe espaço suficiente para desmontagem.
Mesmo que o componente seja relativamente simples, sua substituição pode exigir:
Por isso, a facilidade de manutenção deve ser um requisito de projeto.
Válvulas, conexões e trechos sujeitos a desgaste precisam estar posicionados de maneira que possam ser removidos. Isso parece óbvio, mas nem sempre ocorre.
Instalações muito compactas podem dificultar o acesso a parafusos, flanges, atuadores e acoplamentos. Quando a manutenção só descobre isso durante uma parada emergencial, o tempo de intervenção aumenta.
Algumas partes da linha podem ser consideradas consumíveis de longo prazo. Se o histórico mostra que determinada curva apresenta maior desgaste, o sistema pode ser preparado para facilitar sua substituição.
O mesmo raciocínio vale para:
Projetar pensando na troca reduz o impacto quando ela inevitavelmente ocorrer.
A forma como os tubos estão conectados interfere diretamente no tempo necessário para desmontar uma linha.
Sistemas soldados apresentam vantagens importantes e são adequados para inúmeras aplicações. Entretanto, quando um trecho precisa ser removido frequentemente, o corte e a execução de nova soldagem podem aumentar o tempo de parada e envolver procedimentos adicionais.
Uma alternativa, quando tecnicamente adequada, são os sistemas com acoplamentos mecânicos. Nesse conceito, tubos e conexões são unidos por acoplamentos que permitem desmontar componentes sem cortar novamente a tubulação.
A Alvenius desenvolve sistemas tubulares voltados à mineração para transporte de água, ar e diferentes tipos de slurry. Seu portfólio integra tubos, conexões e sistemas de acoplamento mecânico.
Entre eles está o sistema K10, utilizado pela fabricante em aplicações de mineração e túneis. Os tubos possuem extremidades preparadas para receber o acoplamento, permitindo que a união seja realizada mecanicamente.
Segundo a documentação da própria Alvenius, a possibilidade de substituir, remover ou instalar componentes utilizando acoplamentos rápidos e ferramentas convencionais foi desenvolvida justamente para reduzir o tempo necessário em inspeções e reparos.
A fabricante informa ainda que, em determinadas configurações de seus sistemas, a montagem pode ser realizada sem soldagem em campo e sem trabalhos a quente.
Considere um trecho de linha que apresenta desgaste recorrente. Em uma configuração soldada, a manutenção pode exigir:
Com uma solução de união mecânica adequadamente especificada, algumas dessas etapas podem ser reduzidas. Isso pode ser especialmente interessante em:
Isso não significa que todo sistema de mineração deva utilizar acoplamentos rápidos. Pressão, temperatura, esforços mecânicos, suportação, compatibilidade da vedação e características do fluido continuam precisando de análise de engenharia.
Manutenção preventiva baseada somente em calendário apresenta limitações. Trocar um componente a cada seis meses simplesmente porque “sempre foi assim” pode levar a duas situações ruins.
Na primeira, o componente ainda possui bastante vida útil e está sendo substituído cedo demais. Na segunda, as condições do processo mudaram e o equipamento falha antes do prazo planejado.
Por isso, o ideal é combinar periodicidade com manutenção baseada em condição.
Um mapa de desgaste identifica os pontos que apresentam maior perda de material ao longo do tempo. É possível registrar, por exemplo:
Com uma série de medições, a equipe começa a entender o comportamento real daquela instalação. Uma curva pode apresentar desgaste acelerado, outra, aparentemente semelhante, pode durar muito mais. Esse conhecimento permite concentrar esforços onde realmente existe risco.
Medições periódicas de espessura são uma ferramenta importante para acompanhar a deterioração de componentes metálicos. Imagine que um determinado ponto apresente:
O valor de 6,9 mm isoladamente fornece pouca informação, já a sequência mostra uma tendência. Com histórico suficiente e critérios de engenharia definidos para a aplicação, a equipe pode programar a substituição antes de atingir uma condição inadequada.
O mesmo princípio vale para diferentes técnicas de inspeção: o acompanhamento da tendência costuma ser mais útil do que uma única fotografia do estado atual.
Quando a vida útil de uma tubulação muda repentinamente, vale verificar se o processo também mudou, por exemplo:
Uma alteração aparentemente pequena pode mudar velocidade, turbulência ou agressividade do fluido. Portanto, manutenção e operação precisam trocar informações. Substituir continuamente a mesma peça sem investigar a causa transforma manutenção preventiva em simples reposição recorrente.

Em uma linha mineral, não adianta monitorar apenas os tubos. As válvulas também ficam expostas às condições do processo e, dependendo do modelo e da aplicação, devem ser inspecionados componentes como:
Uma válvula guilhotina para slurry, por exemplo, pode exigir acompanhamento das sedes e da região de passagem da lâmina. Já uma válvula mangote concentra grande parte da atenção no estado do elastômero.
Além do desgaste provocado pelo fluido, é preciso verificar se a válvula continua completando corretamente suas manobras. Aumentos de torque ou dificuldade de fechamento podem sinalizar acúmulo de sólidos, deterioração de componentes ou problemas no acionamento.
Outra estratégia importante é evitar uma variedade excessiva de componentes sem necessidade técnica. Imagine uma planta com dezenas de modelos diferentes de válvulas, acoplamentos e juntas para aplicações muito semelhantes.
Isso aumenta:
Quando tecnicamente possível, a padronização pode simplificar o trabalho das equipes. Isso não significa utilizar uma única solução para toda a mina. Polpa abrasiva, água, reagentes e ar comprimido possuem requisitos distintos.
A padronização deve ocorrer dentro de grupos de aplicações tecnicamente equivalentes.
Uma parada se torna ainda mais longa quando a equipe identifica a falha, mas a peça necessária não está disponível. Em componentes com grande lead time, isso pode transformar uma manutenção de horas em uma indisponibilidade muito maior.
Por outro lado, manter enormes quantidades de peças que raramente são utilizadas imobiliza capital. O estoque deve ser definido com base em criticidade.
Perguntas úteis incluem:
A partir dessas informações, é possível criar um estoque de sobressalentes mais racional.
Em intervenções recorrentes, vale preparar kits antes da parada. Se uma válvula será substituída, por exemplo, não basta ter apenas a válvula disponível. Podem ser necessários:
Descobrir durante a manutenção que falta uma junta de baixo valor pode prolongar a parada tanto quanto a ausência do equipamento principal.
A manutenção também perde tempo quando a equipe precisa descobrir em campo como determinada instalação foi montada. Desenhos, registros fotográficos, especificações e procedimentos reduzem esse problema.
Em sistemas de acoplamento mecânico, seguir o procedimento correto de montagem também é essencial para garantir a estanqueidade depois da intervenção.
No caso dos sistemas Alvenius, por exemplo, a fabricante disponibiliza instruções específicas de instalação e aperto dos acoplamentos, reforçando que a velocidade de montagem não elimina a necessidade de execução correta do procedimento.
Tubulações na mineração destinadas a meios corrosivos ou abrasivos podem utilizar revestimentos específicos. Existem soluções em borracha, materiais poliméricos, cerâmicos e diferentes tratamentos de superfície, dependendo da aplicação.
A Metso, por exemplo, disponibiliza tubos de aço revestidos com borracha e outros componentes projetados para aplicações de slurry nas quais é necessária maior resistência ao desgaste. Entretanto, revestimento não significa manutenção zero, afinal, ele também possui vida útil.
Quando ocorre desgaste ou descolamento, o material estrutural pode ficar exposto. Por isso, o plano de inspeção precisa considerar tanto a espessura metálica quanto a condição do revestimento.
Se a equipe troca constantemente o mesmo componente, vale questionar se o problema realmente está na manutenção. Alguns sinais de alerta são:
Nessas situações, deve-se investigar o sistema e, por isso, talvez seja necessário alterar:
Manutenção bem executada não corrige indefinidamente uma especificação inadequada.
Considere dois sistemas hipotéticos que exigem a substituição periódica de uma curva. No primeiro, a conexão precisa ser cortada e soldada novamente. No segundo, a instalação possui uma configuração desmontável com acoplamentos adequadamente especificados.
Mesmo que a vida útil da curva seja exatamente a mesma nos dois sistemas, o custo operacional pode ser diferente. Isso acontece porque o custo da manutenção não é apenas o preço da peça, também inclui:
Custo da intervenção = componente + mão de obra + preparação + movimentação + inspeção + tempo de parada
Se o sistema permite substituir o componente em menos tempo, o ganho econômico pode se repetir em todas as intervenções futuras. É justamente por isso que características como baixo peso, desmontagem e acoplamento rápido aparecem entre os argumentos técnicos apresentados pela Alvenius para aplicações de mineração.
Os mesmos princípios podem ser aplicados às plantas de processamento de minerais contendo Terras Raras. Não existe, entretanto, uma tubulação específica simplesmente porque a operação trabalha com esse grupo de elementos.
A estratégia depende da etapa do processo e uma instalação pode possuir linhas de:
Em determinados pontos, a preocupação principal pode ser abrasão, em outros, corrosão e compatibilidade química podem ser mais importantes. Portanto, manutenção, materiais e frequência de inspeção devem acompanhar as características efetivas de cada circuito.
Uma estratégia eficiente de manutenção de tubulações na mineração deve integrar engenharia, operação, suprimentos e manutenção. Em vez de agir apenas depois das falhas, a empresa pode:
A lógica é simples: quanto mais previsível for a manutenção, menor será a dependência de intervenções emergenciais.
A manutenção de tubulações na mineração não deve começar quando surge um vazamento. Em aplicações minerais, o desgaste faz parte da realidade operacional. O desafio está em entender onde ele ocorre, em qual velocidade avança e quanto tempo será necessário para substituir os componentes afetados.
Tubulações na mineração projetadas com manutenção em mente, monitoramento periódico, válvulas adequadas e sistemas de montagem que facilitem intervenções podem aumentar significativamente a previsibilidade da operação.
Os acoplamentos mecânicos e sistemas tubulares modulares também podem contribuir quando a aplicação exige desmontagens ou alterações frequentes. A própria Alvenius posiciona seus sistemas para mineração com foco em montagem rápida, manutenção e redução do tempo de parada.
Portanto, reduzir paradas não significa simplesmente realizar manutenção mais rápido. Significa projetar, monitorar e preparar o sistema para que a manutenção necessária aconteça no momento certo e com o menor impacto possível sobre a produção.
A Casa das Válvulas oferece suporte técnico e Engenharia de Aplicação para auxiliar na especificação de válvulas, conexões e sistemas tubulares destinados a diferentes aplicações de mineração.
A empresa trabalha com soluções para linhas de água, fluidos de processo, polpas e outras aplicações industriais, incluindo conexões tubulares e sistemas Alvenius. Sua estrutura também contempla processos de inspeção, rastreabilidade e controle de qualidade.
Entre em contato com a equipe técnica da Casa das Válvulas, apresente as condições da sua linha e solicite uma análise e um orçamento para sua aplicação.
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